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sábado, 29 de agosto de 2015

CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS

1. – JEAN-GÉRARD FLEURY 
Rio de Janeiro, 19 de setembro de 1985. 

Prezado Sr. Kawall, 

Peço muitas desculpas pelo meu atraso em responder a sua carta de Julho. 
Agora colhi as informações que me permitem de responder a seu questionário. 

1º- As fotografias enviadas, não são de Saint-Exupéry. 

2º- Saint-Exupéry nunca teve acidente no Brasil. 

3º- A Aeropostale registrava todos os acidentes. Seu arquivo foi transferido ao Serviço de Documentação da Air-France em Paris a partir de 1933. Em razão de esse longo espaço de tempo, as pesquisas são muito demoradas. 

4º- A história da verdadeira epopéia da Aeropostale, que serviu de modelo o Correio Aéreo Militar brasileiro, é muito difícil de resumir. Vários livros foram escritos sobre o assunto, os mais completos são: “MEBMOZ” de Joseph Kessel, editado na França, dois livros de minha autoria: o primeiro “A LINGNE” e o seguinte “L’ATLANTQUE-SUD de L’AEROPOSTALE AU CONCORDE”. 

5º- Não só conheci Saint-Exupéry, mas fui também um de seus amigos mais íntimos. Durante um certo tempo Saint-Exupéry foi Diretor da Aéropostale na Argentina, isso fez com que ele só passasse várias vezes no Brasil, com paradas principais: Natal, Recife e no Rio. 

6º- A atuação de Saint-Exupéry na América do Sul foi na Argentina e no Chile. 

7º- Nascido na França, Jean-Gérard Fleury foi advogado na Corte de Apelação de Paris. Depois de uma viagem num dos aviões primitivos que desbravavam a “lighe” aérea “Toulouse-Santiago do Chile”, dedicou-se inteiramente ao jornalismo e à aviação. Após ter obtido o brevet de piloto, tendo o grande aviador Jean Mermoz como instrutor, fez numerosas viagens na América do Sul, onde se ligou de grande amizade, não só com Jean Mermoz com também com Antoine de Saint-Exupéry e outros heróis da Aéropostale e também com os pioneiros do Correio Militar: Brigadeiro Eduardo Gomes, Francisco Correa de Mello, Nelson Lavenere Vanderley, Clovis Travassos, etc... 
Em 1940, durante a guerra, fundou com o engenheiro René Cousinet a “Sociedade Construções Aeronáuticas S.A.” Esta sociedade construiu a Fábrica de Aviões de Lagoa-Santa, em Minas Gerais. Em 1941 reencontrou seu amigo Saint-Exupéry em Nova York ajudando a libertação da França. Saint-Exupéry teve um fim heróico em julho de1944, desaparecendo no Mar Mediterrâneo no decorrer de uma missão contra as Forças Aéreas Alemãs. 
Depois da guerra Fleury foi muitos anos correspondente do jornal “France-Soir” de Paris e no mesmo tempo representante da “Sud-Aviação”, construtor dos Caravelles e do Concorde. Atualmente é correspondente da revista francesa “Le Point”. 

8º- Achando muito simpática sua pesquisa sobre um episódio acontecido em Ubatuba, tenho um grande prazer em completar as informações pedidas. 
O avião que pousou naquela cidade em 1933 era pilotado pelo veterano Comandante Leon Antoine, acompanhado do radiotelegrafista Chauchat. 
Hoje, ainda, Antoine lembra-se da acolhida triunfal que recebeu tanto do Prefeito como do povo da cidade e evoca sempre com emoção um vinho Sauternes de um paladar admirável e de suas conversas com o Prefeito e de um cidadão alemão que falava também francês. Leon Antoine aposentado vive sempre no Brasil em Miguel Pereira, no bairro do Javari, Estado do Rio. 
Quando lembrei a ele esse episódio, ele ficou comovido e me diz que tinha uma grande vontade de ver o lugar onde uma “panne” terminou tão bem, assim como as pessoas que lhe prestaram uma assistência tão fraternal. 
Desculpo-me novamente pelo grande atraso com que respondo a sua carta w lhe devolvo as fotografias que me permitiram identificar a tripulação. 
Queira aceitar meu cordial abraço. 
Jean-Gérard Fleury

2– WASHINGTON DE OLIVEIRA 
Ubatuba, 26 de setembro de 1985. 

Prezado Luiz Ernesto. 
Recebi ontem sua carta de 24 deste mês, capeando uma outra de mr. Jean-Gerard Fleury, que vem definir o assunto bastante controvertido. Nela, Mr. Fleury esclarece que, realmente, a cinqüenta anos passados, aqui pousaram dois aviadores franceses, um deles denominado Antoine. Chega até aludir à acolhida dispensada pelo Prefeito e gabar o Sauternes que deliciou aos aeronautas. Mas, o aviador em apreço não era SAINT EXUPÉRY... 
Lamentavelmente, se houve engano de identificação, isso cabe ao meu saudoso amigo Gilberto Brandão, radiotelegrafista da L’Aeropostale naquele tempo, que atribuiu ao aviador Antoine o sobrenome Saint-Exupéry, quando na realidade era Leon Antoine. Desfeito o engano, louvo seus esforços por esclarecê-lo, e aqui vai o cordial abraço do 
Filhinho.

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