HELICÓPTERO
Jorge Ivam Ferreira
Libélula, arisca e veloz,
Traça no vasto espaço aéreo
Uma clara circunferência
De mui transparente retrós.
Enreda-se no véu das cascatas,
Pousa sereno em edifício,
Plana sobre as extensas matas
Ou no topo de um precipício.
Despeja água sobre a chama
De incendiadas florestas,
Paira rente as arestas
De penhascos de Ibotirama.
Beija-flor em vitória-régia
E não em delicado hibisco,
Quando sobrevoa o Etna
Parece um pequeno cisco,
Ou uma perdida alma penada
Na cratera de um vil vulcão,
Não a passarola sonhada
Por Bartolomeu de Gusmão.
Tu tens mais de dois mil ofícios.
Caso existisse em Corinto,
Digo, em Creta, Ícaro teria sido feliz.
Decifrador de labirinto,
Os igarapés, depois de ti,
Não são mistérios para o olhar,
São somente alguns fios louros
Jazendo em mesa de bilhar.
És frágil como um esquilo,
Mas sem de esforço careta,
Chega à nascente do Nilo
Lesto como borboleta.
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