ISC - Idealizado em 1993, o Instituto Salerno-Chieus nasceu como organismo auxiliar do Colégio Dominique, escola particular de Ubatuba (SP), fundada em 1978 por Ana Maria Salerno de Almeida, a "Prô Aninha". Nomeando o Instituto, o Salerno vem em sua homenagem e, o Chieus, é tributo à Carolina Chieus, matriarca da família que, por várias décadas, manteve uma fazenda onde hoje estão inseridas as instalações da escola. Integrado ao espaço físico do colégio, o ISC tem a tarefa de estimular a estruturação de diversos núcleos de fomento cultural e formação profissional, atuando como uma dinâmica incubadora de empreendimentos. O Secretário Executivo do ISC é o jornalista e ex-prefeito de Ubatuba Celso Teixeira Leite.
O Núcleo de Documentação Luiz Ernesto Kawall (Doc-LEK), coordenado pelo professor Arnaldo Chieus, organiza os documentos selecionados nos diversos núcleos do Instituto Salerno-Chieus (ISC). Seu objetivo é arquivar este patrimônio (fotos, vídeos, áudios, textos, desenhos, mapas), digitalizá-los e disponibilizá-los a estudantes, pesquisadores e visitantes. O Doc-LEK divulga, também, as ações do Colégio Dominique.

LEK - Luiz Ernesto Machado Kawall (1927-2024), jornalista e crítico de artes, foi ativo colaborador do Instituto Salerno-Chieus (ISC) e do Colégio Dominique, onde, como tributo, há uma sala de aulas que leva o seu nome. É um dos fundadores do Museu da Imagem e do Som de São Paulo e do Museu Caiçara de Ubatuba.

04 setembro 2025

Letras Ubatubenses

SER OU NÃO SER
João Paulo Naves Fernandes
Os espaços,
os que busquei,
não vieram...
os que não busquei, sim.

Construí um edifício
que me foi dado,
outro está nos alicerces.

Procurei por Deus
e tenho a sensação
de não ter nem mesmo
limpado o terreno,
de repente ei-lo presente

Os amores que surgiram,
voos cegos,
geraram desejos insólitos,
além convívio,
terreno onde finquei a paz.

A morte que evitei,
porque sob o Sol,
não vejo além,
está sempre presente,
como fiel escudeira.

O caminho parece longo,
inalcançável,
cada trecho parece um fim.

Assim vou
nas reentrâncias da vida,
encontrando-me
enquanto me perco,
sendo o que não sou,
não sendo o que sou

02 agosto 2025

Letras Ubatubenses

TARIFAÇO POÉTICO
João Paulo Naves Fernandes
De hoje em diante, todos aqueles que quiserem entrar em meu coração deverão pagar taxas, conforme o que são e fazem.
São estas:

100% pela indiferença... 
100% pela maldade e ódio
100% das ausências e omissões
100% em ceder ao medo.
100% por não pensar no povo citando a pátria
100% por não conhecer nem saber viver a paz.
100% não procurar superar-se no que faz.
100% ao olhar mais para si...
100% aos ricos...encontram sempre formas de isenção

Não taxarei os esquecidos e desprezados pela maioria
Não taxarei os que vivem apertados nas periferias de todo tipo, aguardando quem os socorra.
Não taxarei as mulheres agredidas e assassinadas...
Não taxarei os que sofrem toda espécie de discriminação.
Deixarei entrar sem taxas os pobres os desempregados, os que choram escondidos seus sofrimentos. 

Tenho um coração zeloso que taxa sempre os poderosos e os maus...

Não dou prazos, nem volto atrás...

Este o TARIFAÇO que estabeleço

04 julho 2025

Letras Ubatubenses

PROCURANDO SAÍDAS
João Paulo Naves Fernandes
Não é possível dizer tudo,
então ficamos sempre meio
incompletos no meio de tudo,
faltando em alguma coisa.

Isso para os que se questionam.

Talvez, grande parte queira
apenas afagos, outros, nem isso...

Vou seguindo só neste
emaranhado...
provavelmente os amigos...o meu amor que me escuta, nem sempre me entendendo.

Se nos encontrarmos por aí,
nos aliviaremos juntos deste
mar longínquo e suas ondas
constantes.

Me digam onde me ancoro, não vejo terra.

Eu sei que continuaremos neste vagalhão constante...

Quem sabe encontramos saídas...

25 junho 2025

Letras Ubatubenses

EXPLOSÃO
João Paulo Naves Fernandes
Vou explodir!!!

Será que você será atingido?

Cairei a qualquer momento
em algum lugar...

Você nunca saberá...

Minha explosão
é de amor...
é revolução...

Vou destroçar
tua frieza
tua ausência
de tudo.

Vou deixar pedaços
teus em rosas
suspensas em espinhos,
protegidas dos vasos.

Explodirei em você
nas noites quentes
de verão,
quando as ruas chamam
as janelas abertas

Letras Ubatubenses

EU TEU
João Paulo Naves Fernandes
Agora, já!!!
Nada é para depois
Nada para antes...
Importa o agora presente.

Por isso,
canto sempre
Recito o poema preferido
Declaro o amor
enquanto é tempo.

Os que provocam dores
fiquem com suas dores...
Os que oprimem
vivam em suas opressões...

Quanto a mim,
serei eu agora
eu que sigo
como diz meu coração,
assim declaro.

Sigo apreciando tudo
com a beleza que tem...
e quero sempre novidades.

Acerco-me de amigos.

Tenho um tempo curto,
não deixo pra depois...
sou do agora,
do olhar,
pegar,
beijar,
abraçar,
sou do amor,
de amar e amar

Sou do braço dado,
dos olhos claros
diante de tudo,
sigo como sou,
com o que tenho.

Meus amigos
não vivem do dinheiro,
mas da solidária fraternidade.

Sou um eu teu...
sempre meu amor,
grande amor,
sobrevivente do mundo

11 junho 2025

Letras Ubatubenses

ÂNSIA SOLITÁRIA
João Paulo Naves Fernandes
Tu...
passando por cima
de mim
com esta
exuberância toda...

Nem um batalhão
de choque
seria capaz
de impedir-me
rasgá-la
com minha
língua de anzóis.

Em quantas trincheiras
já não me ocultei,
aguardando a chance
de fisgá-la,
antes dos girassóis
a roubarem
o encantamento...

Quantos vinhos...
quantas vinícolas
seriam necessárias
para que
a árvore da vida
desse frutos,
e pousasses
em meus galhos?

Percorro
sinuosos campos
atento às palavras
que escapam
da multidão...

Quem sabe voltes
de teus afazeres
ancestrais,
tuas noites
intermináveis,
prisioneira das torres
de comunicação...

Quem sabe tremas
ao me encontrar...

Dos largos
espaços inexplorados
escapam
peixinhos vermelhos
balbuciando,
secreta linguagem
marítima...

Teus segregos,
recônditos,
lançam,
decididos,
tua carruagem
de odores
contra os frontões
da fortaleza
onde adormecem
tropéis de desejos.

Roubo-os dos sonhos?

Não sabes
que dormes
perigosamente?

Não ouves
a flauta do fauno
ecoando
em meio
a mata escura?

Viras teus costados
para o perigo...
não sabes
quantos deuses
vorazes
preparam armadilhas
para estas
tuas montanhas...

Tua ingênua presença
enche de perfume
a noite solitária...

Desconheces
os riscos
que corres?

05 junho 2025

Letras Ubatubenses

SOBRE A VERDADE
João Paulo Naves Fernandes
julho 23, 2024
A verdade dói,
quisera não dizê-la.
Calar-me?
Não posso.
A maioria não suporta.
A verdade exclui
seus defensores,
mata-os.
A verdade
se afirma
como necessidade
de consciência,
livra do padecimento
coletivo,
prisioneiro.
A verdade
não tem hora
nem lugar,
embora desejem
acorrentá-la
num tempo determinado,
em lugar seguro.
A verdade
nunca estará segura,
porque atinge
o centro do poder,
estará sempre
em risco.
A verdade
não tem limites,
mexe e remexe
estruturas individuais
e coletivas,
incluindo
quem a proclama.
A verdade
não pede licença,
por mais suave
que possa
tentar parecer,
sempre fará o mau
sentir-se ofendido,
com ódio.
A verdade
não consegue
esconder-se,
ainda que tentem
deixá-la
do lado de fora.
A verdade
mora no mais profundo
do coração do homem
e da mulher,
às vezes adormecida,
outras vezes confusa
diante de tantas falsidades.
A verdade
é limpa,
direta;
não precisa
de penduricalhos
para se expressar.
A verdade é sã,
sadia;
está ligada
a natureza
plena do ser.
A verdade
é realizante,
mesmo perseguida,
contradição
inerente,
obrigatória.
A verdade
não dorme.
Quem dorme
é o ser humano.

29 maio 2025

Letras Ubatubenses

RECOLHO EXPERIÊNCIAS
João Paulo Naves Fernandes
Recolho experiências como quem sempre nasce.
Tudo que é novo vai sendo guardado no alforje do coração.
Gera domínio do tempo, novidades enfraquecidas no longo convívio.
Trazem lágrimas e dores, esperanças e sorrisos, e acasos.
Nunca tem a palavra final, continua aprendendo.
Recolho experiências como quem morre aos poucos, quem quer saber...permanecem guardadas...
O mundo corre sem memórias e se esbarra na mesma e repetida marola, lua nova, oculta.

26 maio 2025

Letras Ubatubenses

MARÉ BAIXA
João Paulo Naves Fernandes
Maré baixa, mar distante...
há dias que de tudo
me ausento,
assento
num ponto,
e ali permaneço,
hiberno...

O mundo que fique
com seus problemas,
eu com os meus,
já bastam.

Não sinto
a direção dos ventos,
a correria do entorno,
estorvo, estorno.

O Sol vem
e já me basta
o dia com seu calor,
em ausentar-me,
sem pudor,
voz dissonante,
vou calar-me.

E a Lua muda,
esconde-se
em suas ausências,
inocente que se faz.
...e como tudo
muda na vida,
de repente,
e uma ressaca
esquecida,
me faz voltar...

Assim vou...
da proa à popa,
definindo
ritmos,
compassos..

Minhas marés
levam e trazem...

Lá vou eu ali,
e outra vez,
aqui...

16 maio 2025

Letras Ubatubenses

SE ME FALTAM PALAVRAS...
João Paulo Naves Fernandes
Se me faltam palavras,
então os fatos
falam mais alto,
ainda recolhem elementos...

Também consideram
as oportunidades,
a surdez nos emudece.

Tenho ainda
palavras prontas
sem ouvintes,
aguardam a virada do tempo.

Olho o horizonte,
me pergunto
se trago algo novo,
ainda guardo a pepita
que areja ambientes,
luzidia.

Neste meio tempo,
transito entre afazeres
supérfluos,
questionando
suas extemporaneidades.

Persegue-me
um ser completo,
que nunca se realiza...

05 maio 2025

Letras Ubatubenses

INSERIDO
João Paulo Naves Fernandes
Estrelinhas saíam
de meus olhos,
viajavam
até encontrarem lar.

A boca
amargava
conforme
segurava
momentos,
media,
desaguava.

Depois,
vinha um rio,
onde as palavras
se deleitavam,
casavam,
febris,
em oceano
profundo.

Construíam o planeta.

A realidade
mesclava
dor e sonhos.

Os pés
sobre o chão duro
tinham o impacto
de lençóis nos varais
em dias de Sol,
conectavam
terra e vento,
eu no mastro.

Era preciso
repor a vontade
sobre a ordem,
dar espaço
às descobertas noturnas
antes que tudo voltasse
a ser pedra e pó.

Por isso
o tempo,
a velha
maturação
curtida,
diariamente,
por fora
dos significados,
criando...

Observo,
pela manhã
a superfície
do mar,
em busca
de um fino
tapete,
onde esconda
meus sonhos.

Faço o mundo,
e não me arrependo...

29 abril 2025

Letras Ubatubenses

DEFASADO
João Paulo Naves Fernandes
Não dá tempo para ler de tudo o que recebo.
Não está havendo tempo para conversar com todos que gostaria e estou precisando.
Não encontro tempo para ler todos os livros que tenho e os que gostaria.
Falta tempo para visitar os amigos e prosear.
São muitos os lugares que desejo visitar neste adiantado da vida.
Vivo a ansiedade por tudo que não consigo.
Reconheço a profunda defasagem entre o que está oferecido diante de minha pequena capacidade.
Então, passo a vista por alto, ligo ora a um, ora a outro.
Deixo muitos livros abertos na mesa e saboreio partes de todos.
Visito pontualmente.
Assim acompanho, meio por dentro, meio por fora.
Recuso-me a correr só por correr...ainda sou eu, com meu ritmo e meu tempo.

Rumo aos 50!

Entrevista com Claudia e Eduardo Medina

21 abril 2025

Letras Ubatubenses

A PÁSCOA ATUALIZADA NA IGREJA
João Paulo Naves Fernandes
A morte vencida na esperança e a vida em despedida.
Seu nome, Francisco.
Amou tanto as pessoas, a ponto de criar uma Igreja em saída, com altares nas praças, e fiéis nas sarjetas, nos escombros das guerras.
Disse o que via sem esquivar-se aos poderosos, e sorriu muito por ter olhos bons.
Tirou apetrechos inúteis e varreu os penduricalhos nas celebrações, dirigia-se ao principal, ao Senhor Jesus, ao Pai, ao Espírito Santo.
O meio ambiente tornou-se seu verdadeiro altar, e os peixes, aves e as plantas os anjos que ornamentam o mundo.
Seu testemunho continuará ecoando nos corações dos pequenos esquecidos deste mundo.

18 abril 2025

Letras Ubatubenses

SEXTA FEIRA SANTA
João Paulo Naves Fernandes
Vou guardar-me hoje, guardar-me das palavras soltas e vãs, guardar-me das grandes distrações diante deste mundo de opressão.
Vou deter-me em mim, encarcerado às pobrezas d'alma que me afastam dos que sofrem, enquanto me divirto.
Vou questionar-me sobre a viagem da alegria que me deixou, e não a trago de volta.
Hoje observo o que fiz de minha fé, se a consumi na solidão da oração, ou se a testei junto aos mais necessitados.
Denunciar-me das eternas devoções ao lado de um mundo que sofre.
Quantas vezes Jesus Cristo deverá subir à cruz por mim?
Oh espírito fugidio...

08 abril 2025

Letras Ubatubenses

PEQUENOS
João Paulo Naves Fernandes
Somos os pequenos
conhecidos...
das pequenas presenças,
das poucas palavras.

Não nos importamos
com as modestas divulgações,
e dividimos alegremente
pequenos sucessos.

Prezamos as pequenas palavras
e aguardamos longo tempo
até que possam ser ouvidas.

Conhecemos os pequenos
ouvidos,
que se posicionam,
não incluem
o coração.

Somos das pequenas decisões
que nem precisam
ser conhecidas.

De tudo participamos
sorrateiramente.

Raros os grandes conhecidos.

A estes nossos lauréis,
nossas reverências.

Somos sonhos pequenos
que passam rápido.

Se puderes, ouça...

07 abril 2025

Letras Ubatubenses

DESPERTAR
João Paulo Naves Fernandes
Estes montes altos
que sobrevivem nas penumbras...
Estas florestas densas
sempre desbravadas...
o despertar dos grilos...
Esta noite que amanhece,
ao passear das mãos...
Este dorme e acorda
não se decide...
essa sensação de novo
no mesmo de sempre...
Essa visita de vida constante...
Este mar bravio sem margem...
Este sonhar sobre a realidade...
Esta calma da noite, absolvida...
Estas pernas que abrem e
fecham,
como conchas,
tesouros profundos...
este desejar das marés,
feitiço por terra...
esta sombra que não se assume,
estes olhos acostumando-se à luz.
Estes beijos deixados
à porta da entrada,
este convite para a manhã...

15 março 2025

Memória da Gente

Um lugar chamado Colégio Dominique
Colégio Dominique e entorno
Imagem satelital em Agosto de 2022
Espaço geográfico” é um conceito da Ciência Geográfica para a porção espacial modificada pela ação humana. “Lugar” é a conceituação para a parte desse espaço com significados particulares e relações humanas. O atual Colégio Dominique é um lugar onde, outrora, existia um canavial da Fazenda Velha, produtora de cana de açúcar e derivados. Nas primeiras décadas do século XX, foi propriedade da família Cancer: Francisca Médice, Thomaz e Raphaela. O principal produto do estabelecimento era a aguardente Caninha Ubatubana, produzida inicialmente com a chancela de Francisca e, mais tarde, com a de Raphaela.
Rótulos da época em que a Fazenda Velha
pertencia à família Cancer
Sabe-se que Thomaz Cancer nasceu em Polla (Itália) em 11 de setembro de 1882 e faleceu, na capital São Paulo, no dia 25 de setembro de 1934. Uma rua da praia Grande, em Ubatuba, recebe seu nome. O nome de Raphaela, com a grafia vigente, é homenageado com a rua Rafaela Cancer, no Jardim Carolina.
Thomaz e Raphaela Cancer
No ano de 1928, Domingos Chieus veio para Ubatuba, contratado por Raphaela Cancer, para gerenciar a Fazenda Velha. Ele anteriormente trabalhava em Piracicaba, na Usina Costa Pinto, onde se especializou na fabricação de açúcar e álcool. Piracicaba sempre foi um polo da cultura de cana de açúcar e sempre teve, também, engenhos para cachaça. Domingos Chieus conhecia bem sobre essa cultura. E possuía conhecimento de máquinas agrícolas. Sua indicação para a ocupação em Ubatuba foi feita por Alexandre Malfatti, irmão da célebre artista plástica expressionista Anita Malfatti.
Domingos Chieus
Domingos Chieus era italiano de Veneza, nascido em 28 de maio de 1894. Filho de Giacomo Chieus e Maria Cerneas. No mesmo ano de nascimento, foi trazido como imigrante ao Brasil, com desembarque no porto de Santos. Domingos faleceu em 1943, aos 49 anos de idade. Deixou a mulher, Carolina Cera Chieus, e seis filhos: Roberto (nascido em 1918); Augusto (1920); Domingos Filho (1924); Gilberto (1927); Umberto (1930); e, Antônio (1941). Os mais velhos nasceram em Piracicaba; os dois últimos, Umberto (Nenê) e Antônio nasceram em Ubatuba.
Certidão de Registro de Domingos Chieus
Domingos e Carolina Chieus
Todos, a exemplo do pai, trabalhavam em diferentes funções na Fazenda Velha, época em que Raphaela Cancer era produtora da tradicional Caninha Ubatubana. Em 1952, Raphaela vendeu a Fazenda Velha, incluindo os maquinários, para quatro dos irmãos Chieus: Augusto, Domingos Filho, Gilberto e Umberto. Além do alambique, a fazenda teve olarias e produção de hortaliças.
Rótulo da Caninha Ubatubana,
quando era produzida pela Família Chieus
A partir da aquisição da propriedade, os Irmãos Chieus mantiveram a fabricação da Caninha Ubatubana, até 1978, quando desativaram a Fazenda Velha. Antes, porém, em 1972, em parte da gleba, foi implantado o loteamento Cidade Carolina, depois chamado de Jardim Carolina. A denominação é uma homenagem à mãe dos, então, proprietários da terra, Carolina Cera Chieus. Era filha de Antonio Cera e Luiza Martinati. Nasceu em Piracicaba (SP), no dia 26 de março de 1901.

Com a implantação do Jardim Carolina, alguns lotes, no ano de 1998, foram destinados ao casal Celso de Almeida e Ana Maria Salerno de Almeida. No local, ergueram benfeitorias para onde transferiram a sede do Colégio Dominique, mantido pela família.

O Colégio Dominique - lugar geográfico de saber, cultura e conhecimento - tem as coordenadas (23°26'18" S - 045°05'27" W). Fundado em 1978, pela Professora Ana Maria Salerno de Almeida, estabeleceu-se na rua Cunhambebe, até 1988; na rua Dona Maria Alves, até 1998; e, no Jardim Carolina, desde 1999.
Professora Ana Maria Salerno de Almeida,
a Pro Aninha, fundadora do Colégio Dominique
A criação do Instituto Salerno-Chieus, como fomentador das atividades culturais no Colégio Dominique, por meio de vários núcleos, é uma homenagem para Ana “Salerno” e Carolina “Chieus”.


Texto: Conselho Gestor do ISC / Núcleo Memória da Gente

Letras Ubatubenses

ALUMBRAMENTO
Joban Antunes
Poeta Caiçara
Se o que há em ti me comove
Porque te miro sem sentimento
E no momento
Meu lábio não se move?

Se o que há em ti me alumbra
Porque me escondo na penumbra
De um aflito coração
Carente de emoção?

Se o que há em ti me espanta
Então não adianta
Me revestir de medo
Revelar segredo
Que já não me encanta

Em ti está o começo
E o fim
Que se revela em mim
Todo meu apreço
Que vem do berço
E se completa assim

11 março 2025

Letras Ubatubenses

DELETADO
João Paulo Naves Fernandes
Tenho uma tecla
que me faz
perder tudo,
traído
pela tecnologia.

Sinto-me como
terra arrasada,
terem arrancado
parte do corpo.

Não recuperarei
este pedaço
de alguma
coisa,
presa
num texto,
contexto,
deletado
sem querer.

Vasculho onde passei,
rastreando com os olhos
para ver se encontro...

Qual nada!

Tudo perdido.

Sigo deixando
partes úteis
e inúteis
de mim
na indiferença
da vida,
enquanto suspiro
nos passos.

Se encontrarem
me avisem,
se for importante...

06 março 2025

Letras Ubatubenses

DISTRAÍ-ME
João Paulo Naves Fernandes
Distraí-me nas luas...
em qual me conheceste?
Imprevisto decifro
nuvens fugidias
antes que ventos cegos
expulsem os caminhos livres.

Andei invisível,
hoje grito,
não sei a hora

Distraí-me antes
que os lírios
despertassem
a ânsia
do perfeito.

Distraí-me
enquanto andava nu,
sem regras,
revoltado com tudo...

Conheces minha luas?

21 fevereiro 2025

Letras Ubatubenses

AMBIGUIDADE NECESSÁRIA
(meditando João da Cruz)
João Paulo Naves Fernandes
O amor aprende
com o sofrimento
a amar mais,
dor e o amor
são irmãos inseparáveis.

A paz
adquire significado
com a guerra,
quanto mais cruel,
maior busca pela paz.

O caminho
nem sempre
é o que
se deseja
seguir,
interrompe e desvia,
com ensinos novos,
imprevistos.

Amizades
são construídas
na exterioridade,
ao compartilhar,
se perdem.

A vida carrega
uma imensa
inconsciência
da morte,
que a acompanha,
permanentemente
interrogando
sobre a importância
disto ou daquilo.

A alegria
se desvela
diante do ódio,
mostra seu lado
sempre aberto
ao que é bom.

Acreditar
é gratuito,
e se expressa
melhor
entre descrentes.

A saúde
é descoberta
na enfermidade,
quando já é tarde;
a doença
é uma irmã
alienada.

Equilíbrio tênue
desconhecido
vai sendo
tecido
e medido
com o tempo.

Ah...condição humana,
nunca termina
de moldar o ser,
sem atingir
uma forma final.

20 fevereiro 2025

Letras Ubatubenses

EQUAÇÃO
João Paulo Naves Fernandes
Enquanto estou por aqui
decifro uma equação
que não fecha.

O sonho
não bate
com a realidade,
o amor
afoga-se nas instituições,
os caminhos
tendem a ser
os mesmos,
encontramo-nos
em diferentes solidões.

Enquanto estou aqui
estranho muito
a combinação
do belo com a dor.

Deixo um rastro
de esperança
e uma alegria
guardada
do fardo diário.

Depois dos passos,
me olho para ver
quanta força
ainda reúno,
e sigo em busca
de um resultado,
para esta equação
que não fecha.

Quem sabe
tudo esteja aberto
e eu lógico,
quem sabe
o uivo dos lobos
transcendam enfim
as montanhas
e alcancem
os roseirais
esquecidos
no jardim
da casa
de minha
infância.

15 fevereiro 2025

Letras Ubatubenses

ENTARDECER
João Paulo Naves Fernandes
Ao por do dia
guardarei um silêncio
de agradecimento;
responde mais
que mil palavras
dispersas na surdez
do mundo.

Direi de minha desatenção,
apesar do grande esforço
do tempo acumulado.

O pouco
será suficiente
para o tanto
a ser feito?

A vida escorre
em semiconsciência
entre saber
e desconhecer-me.

Não sou
quem procuro,
desconhecido de mim.

Sim, a alegria é gratuita,
mas a vida tem seu preço.

Vou guardar silêncio
em respeito ao eu
que nunca nasceu,
e ao outro,
póstumo vivo.

Que celebrem
o desencontro.

14 fevereiro 2025

Rumo aos 50!

Entrevista com Arthur e Professor Israel

Letras Ubatubenses

DOMINGAR
João Paulo Naves Fernandes
Domingo é dia
da institucionalização
da preguiça,
tão perseguida
pelo capital.

Dia de
não se fazer nada,
não desejar nada;
se for o caso
passear
por passear,
sem recitar.

Os poemas dormem
nos domingos,
porque os leitores,
que se cansam fácil;
neste dia então,
nada leem.

Ah...não ter
de escrever,
de declamar,
rimar.

Há um tédio
neste nada.

Do que será?

O que se produz
tem um limite,
e este limite
termina no nada,
e o nada,
o limite do nada,
é um tédio
da inutilidade de tudo,
descoberta
inconsciente
profunda.

Ah domingo
das velhas cavernas
ancestrais,
que evocam
longas contemplações
do por do Sol,
das estrelas noturnas.

Descanso na realidade
do vazio de mim.

02 fevereiro 2025

Letras Ubatubenses

DEFASADO
João Paulo Naves Fernandes
Poderia ter
dançado mais,
beijado mais...

Poderia ter amado
com mais frequência.

Falado mais,
ter me exposto mais.

Tudo isto fiz...
ainda assim
trago esta carência
que vem de longe...

Por isso
controlo os olhos,
disfarço,
como se estivesse realizado,
e em muitas ocasiões,
realmente estou.

Mas há um bom
desajuste neste meio.

Poderia ter sido
mais esperto,
desperto,
mais maduro,
quando imaturo.

Demorei em terminar a infância,
brinquei mais que namorei.

As meninas tornaram-se
mulheres antes,
me inibiram,
eu jogando futebol.

Agora, tudo é tarde,
ainda que me divirta.

Não tenho mais
espaço para transgressões.

Tive de redescobrir
novos modelos
de alegria
que suportassem
a agressão do tempo.

A verdade
é a dolorosa
observação
desta sequência
chamada vida.

25 janeiro 2025

Letras Ubatubenses

SE NÃO FOSSEM AS MANHÃS...
João Paulo Naves Fernandes
Ah...se não fossem as manhãs,
como adormeceriam meus sonhos?

Precisam sentir-se realizados.

Sonhos que sobrevivem acordados.

Como podem ter seus olhos abertos?

Ah...viver com os sonhos nas mãos...

Ah...manhãs poderosas
que nos redimem
das incertezas,
nos cobrem de esperanças.

Ah...que sou todo manhãs,
de Sol aberto,
nuvens pintadas
espalhadas por pincéis
no azul celeste.

Trago as manhãs
para as tardes,
e as tardes clamam
às noites
por sonhos.

Assim,
vivo de sonhos...

19 janeiro 2025

Letras Ubatubenses

MUDANÇA CLIMÁTICA
João Paulo Naves Fernandes
O tempo
está se findando...
muitos são os sinais
que surgem
de todos os lados.

Não é algo explícito,
mas todos percebem
que houve uma quebra
na lógica da natureza...

Não conseguem
alterar o rumo
para que este processo
seja interrompido,
até revertido.

Há alertas
conscientes,
esparsos,
insuficientes
para comover
profundamente
o sistema
para ações efetivas.

Não são
os pássaros,
os peixes,
os insetos,
nem os porcos,
os vagalumes,
as raposas,
menos ainda
os falcões,
as baratas,
gafanhotos.

Não é
a Lua
e o Sol...
estes continuam
suas rotinas
de trabalho e amor
indiferentes,
em sua lógica celeste.

Há um clamor
silencioso e cúmplice
que atravessa
incêndios,
inundações,
secas,
desertos...

Ah se despertassem
o zelo e o cuidado...
mas não,
seguem esperando
que leiam dos céus
as lições que trazem
sem palavras,
desnecessárias que são.

Um dia após outro
vai tudo se sobrepondo
e ruindo,
e eu junto,
estupefato.