O Núcleo de Administração Luiz Bersou, mantido pelo Instituto Salerno-Chieus, divulga o pensamento de Luiz Bersou (1940-2016), engenheiro naval, consultor de empresas, conceituado estudioso de administração que atuou, também, no Brasil e no exterior, em gerenciamento de planos estratégicos para o desenvolvimento de cidades. Em Ubatuba, contribuiu diretamente na organização definitiva do Instituto Salerno-Chieus, que passou de organismo auxiliar do Colégio Dominique para instituição autônoma de fomento cultural e estímulo a estruturação de empreendimentos.
DE QUE CONTROLE DE GESTÃO PRECISAMOS?
Luiz Bersou
06/05/2009
Estamos vivendo um momento em que se discute com muita frequência o que é o Controle de Gestão nas empresas e como ele deveria ser. O tema é sempre importante, mas mais importante em épocas de crise como aquela que estamos vivendo neste momento.
Analisando o tema com diversos empresários, percebemos questões importantes que estão faltando na conceituação do que é ou deveria ser Controle de Gestão. Vamos ver alguns pontos interessantes.
“Planejamento x Controle de Gestão” e “Controle de Gestão x Planejamento”
Um não pode existir sem o outro. Planejamento e controle são duas entidades siamesas que não podem e não devem se separar. Entretanto o que encontramos nas empresas são estruturas de controle de gestão sem a contrapartida verdadeira de planejamento. Complicado. Muito complicado. Não deveria ser assim.
“Controle de Gestão do passado, do presente ou do futuro?”
Em praticamente 100% das empresas que visitamos, o controle de gestão está voltado para o passado. É necessário? É sim, mas qual é realmente a importância da visão do passado?
Na nossa percepção a principal atividade do controle de gestão é trabalhar na antecipação do que vai acontecer com as contas da empresa no futuro próximo e a médio prazo.
O que mais se precisa fazer no dia a dia das empresas é tomar providências para que o futuro aconteça como queremos ou precisamos. Não basta ter o fluxo de caixa projetado no futuro. É preciso muito mais.
Portanto, é mais importante que o Controle de Gestão faça o controle do futuro do que do passado! Como isso pode ser feito?
“A Ferramenta Orçamento Rolante”
A peça orçamentária costuma ser uma ferramenta de gestão extremamente pesada, de acesso restrito, de atualização onerosa e de simulação geralmente muito lenta e pesada. Precisa ser assim? Não! No mundo de hoje, o que mais precisamos é de peças orçamentárias que sejam de simulação extremamente fácil, trabalhem com números de real significado, de significado estratégico e que possam ser atualizadas mensalmente.
Vivi um caso interessante em que o cliente, por conta de um programa pesado de lançamento de novos produtos, percebeu, em setembro de 2006, que em maio de 2007 teria dificuldades importantes com a sua estrutura de capital de giro operacional.
Eles perceberam o problema por que estavam simulando com a frequência necessária o orçamento no futuro. Providências foram tomadas imediatamente, em setembro de 2006 e, em maio de 2007, tudo aconteceu da melhor forma. Gestão pró ativa, antecipando problemas e resolvendo antes que eles aconteçam. Isto é gestão!! Como simplificar o orçamento e o tornar mais importante ainda?
“A Gestão dos Pequenos Números e a Gestão dos Grandes Números ou Gestão dos Números com Significado”
O que é na verdade um orçamento? Uma sopa com uma montanha de pequenos números com os quais lutamos para extrair deles algum significado e uma lógica! O que mais se caracteriza na análise dos números de uma empresa? A falta de modelos de análise que extraiam significado dos números, e os transformem em Grandes Números, números com significado.
Quando analisamos esta questão verificamos que os números com significado de que precisamos são muito poucos. Para tê-los basta planejar antecipadamente e construir as sínteses necessárias.
Quando começamos, há mais de 10 anos, a propor o conceito de orçamento rolante para os clientes, dentro da visão da gestão dos grandes números, levávamos em média 16 horas para reprojetar o orçamento. Hoje em dia o processo está muito mais amadurecido e com a participação das pessoas chaves, em particular do comercial, levamos em média 4 horas. São 4 horas de trabalho em 20 dias úteis que tem muito valor, pois permite, sim, a gestão com antecipação dos problemas.
Tentem que vale a pena. Os resultados são excelentes e passa a ocorrer uma grande convergência das equipes que veem no orçamento uma ferramenta para se utilizar realmente.
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