REFÉM
João Paulo Naves Fernandes
Admito viver pelos cantos.
Talvez tenha visto muito,
além do suportável;
talvez não tenha conseguido
seguir como esperam.
As grandes paisagens
passaram ao largo,
tudo o que vi
foram dores e sofrimentos.
Acima de tudo me quiseram calado.
A contragosto, correndo riscos,
desenhei limites de proteção
onde somente entrassem
com vendas,
sem saber onde estão,
e tudo fosse buscas
Preservei a casa,
a mulher,
os filhos...
preservei os jardins,
o que tinha de melhor,
o que sustentava
meus enigmas de existir.
Por isso o canto,
onde escoro
as laterais da vida
que não se encaixam,
deixam os olhos ácidos...
Decifro-me enquanto me dispo,
meus caminhos são muitos,
não dependem do tempo.
Tornei-me amigo
da noite e do silêncio,
amigo da verdade,
enquanto sigo
refém do mundo.
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