ISC - Idealizado em 1993, o Instituto Salerno-Chieus nasceu como organismo auxiliar do Colégio Dominique, escola particular de Ubatuba (SP), fundada em 1978 por Ana Maria Salerno de Almeida, a "Prô Aninha". A criação do Instituto Salerno-Chieus, como fomentador das atividades culturais no Colégio Dominique, é uma homenagem para Ana “Salerno” e Carolina “Chieus”, matriarca da família que, por várias décadas, manteve uma fazenda onde hoje estão inseridas as instalações da escola. Integrado ao espaço físico do colégio, o ISC tem a tarefa de estruturar diversos núcleos de estímulo à cultura e à formação profissional, atuando como uma dinâmica incubadora de empreendimentos. O Secretário Executivo do ISC é o jornalista e ex-prefeito de Ubatuba Celso Teixeira Leite.
O Núcleo de Documentação Luiz Ernesto Kawall (Doc-LEK), coordenado pelo professor Arnaldo Chieus, organiza os documentos selecionados nos diversos núcleos do Instituto Salerno-Chieus (ISC). Seu objetivo é arquivar este patrimônio (fotos, vídeos, áudios, textos, desenhos, mapas), digitalizá-los e disponibilizá-los a estudantes, pesquisadores e visitantes. O Doc-LEK divulga, também, as ações do Colégio Dominique.

LEK - Luiz Ernesto Machado Kawall (1927-2024), jornalista e crítico de artes, foi ativo colaborador do Instituto Salerno-Chieus (ISC) e do Colégio Dominique, onde, como tributo, há uma sala de aulas que leva o seu nome. É um dos fundadores do Museu da Imagem e do Som de São Paulo e do Museu Caiçara de Ubatuba.

06 julho 2026

Letras Ubatubenses

Para minha querida Andréa Palmeira Antunes
Roze Cabral

Vinícius de Moraes, com a sabedoria que só os poetas carregam, corrigiu nossa miopia diante do fim. Explicou-nos que a morte não é inesperada, como costumamos dizer. Ela é, em verdade, impressentida. 

Como guardo em mim essa quase obsessão pelos conceitos e pelas palavras, demorei-me por horas a fio no eco dessa frase tão profunda. Afinal, se a única certeza irrefutável da existência é a de que um dia abandonaremos a veste desse corpo físico, chamar a partida de "inesperada" beira a ingenuidade.

O mistério reside no fato de que nos é vedado intuir o instante exato do adeus. Disso, ninguém duvida. A última vez que vi Andréa, o cenário era uma celebração entre amigos da Literatura. E, como costuma desaguar todo bom encontro de literatos, o ar estava impregnado de leveza, riso solto e camaradagem. 

Lembro-me de que, por um capricho estranho do destino, meus olhos se demoraram nela por longos minutos. Fazia tempo que a vida não nos cruzava, e julguei que aquela urgência no olhar era apenas a saudade cobrando o seu preço. Nos abraçamos, e segredei-lhe o quanto a achei parecida com a mãe. Foram nossas últimas palavras escritas no tempo.

Hoje ela partiu. Fica em mim o silêncio da ausência, mas também uma gratidão imensa por tudo o que floresceu enquanto esteve aqui: seu riso largo, seu bem-querer sem rasuras, o desenho único de sua presença e essa derradeira imagem que o meu olhar guardou, como fotografia eterna na retina.

Há uma profunda sabedoria divina em nos poupar dos presságios da morte. O peito humano é frágil demais para carregar o peso de tamanha magnitude. Afinal, a despedida de quem amamos sempre será o inverno mais rigoroso do coração.

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