MEU VELHO GENERAL
João Paulo Naves Fernandes
Cassado de 64, veterano de 32,
Estudante de filosofia. (era aluno de Marilena Chauí, e a admirava sobremaneira).
Nunca houve época melhor
em sua vida do que agora.
E agora, para sua honra,
Não está vendido,
Nem mesmo magoado;
Revoltado sim,
E assim encontramos nosso primeiro elo
Nossa única filosofia:
A de ser esperto quando nos cercam,
De calar quando nos batem,
De aparecer quando não esperam,
Enfim, de estar atento
Até no contemplar do silêncio absoluto.
Velho amigo,
Conflito de razão e Crisopígeo,
Perseguidor de poemas
E das mulheres nunca conquistadas.
Vê o que resta no ar...
A liberdade restrita ao murmúrio dos homens
Como um amor incubado
Que a gente sabe que pode morrer.
Vê que salgaram a casa de Tiradentes,
Mas que os alferes ainda bradam!
Poema que escrevi para o General Zerbini antes de seu falecimento. Ele, e sua esposa Terezinha Zerbini foram nossos padrinhos de casamento em 13/14/1973, na Igreja de São Domingos, nas Perdizes, em Sao Paulo. Um dia conto como foi o esta amizade. Este poema está em meu primeiro livro CHÃO DO MUNDO, do período em que era metalúrgico e trabalhava na Aços Villares, em São Caetano.
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