ONDE NASCE A MINHA POESIA
Roze Cabral
Escrevo linhas onde o papel me acolhe.
Nos cadernos, nos guardanapos esquecidos, no avesso humilde de um saco de pão.
Escrevo no que é passageiro: no desenho das nuvens, na espuma que o mar faz antes de sumir, ou ali mesmo, na crueza do chão.
Traço linhas que ganham corpo no barro úmido, na textura das peças de argila, nas formas que ganham vida e calor no trabalho das mãos.
Rascunho linhas que cortam o asfalto das estradas, que se apagam nas areias das praias, que se perdem nos labirintos do olhar e da emoção...
Escrevo linhas em toda parte, sem trégua.
De onde elas vêm?
Dos cantos inquietos, dos sentimentos revoltos, dos gritos abafados da alma.
De onde elas vêm?
Você já sabe.
Vêm de um simples coração.
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