CONFORTEM-ME
João Paulo Naves Fernandes
Demorei tanto para compreender...e ainda me descubro assim...no ar.
Sigo me surpreendendo a todo instante.
Recebo afagos às minhas fraquezas, enquanto vou relativamente distraído, não alivia...
Dói não entender o amor, ver que o mundo não faz esta opção, dói.
Busco nas pessoas o que as diferencia da versão comum, e bebo o quanto possa, mas não muito, tem seu limite também.
Apesar de parecer, sou bem mais fechado do que deveria, e responsabilizo o tempo por isso.
Responsabilizo igualmente o escrever, por esta solidão voluntária.
Afeiçoei-me a escrita, como a uma terapia lúdica, onde ainda me divirto, em silêncio, nos roteiros que saltitam em mim.
Consciente de que nada se escreve quando falta inspiração, incomoda-me a seca da alma, quando há um silêncio mudo, e nada brota.
Enquanto isso, o mundo continua sempre puxando para ele, eu dividido entre um e outro.
Definitivamente não me entendo.
Sou um desconhecido de mim, com imensas montanhas, mares e abismos.
Pesco sempre, muito atento ao que vem, pescador que sou.
Só não suporto vazios.
Estejam onde for...
Confortem-me, por favor, desta impressão de ausência de mim.
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